QUEM É MAIOR NO REINO DE DEUS ?
Veio-lhes então ao pensamento saber qual dentre eles era o maior. E chegaram a Cafarnaum. Em casa, vendo Jesus o pensamento de seus corações, lhes perguntou: “Sobre o que discutíeis no caminho?”
Mas eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si sobre qual era o maior.
Jesus, sentando-se, chamou os Doze, e então aproximaram-se os discípulos e lhe perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?”
Jesus lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos”.
E chamando uma criança para o meio deles, colocou-a a seu lado e, pegando-a nos braços, disse-lhes: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Quem, portanto, se tornar pequenino como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”.
E acrescentou: “Quem receber uma criança como esta em meu nome, a mim me recebe, e quem receber a mim, não é a mim que recebe, mas sim aquele que me enviou. Pois aquele que dentre todos vós for o menor, esse será grande”. (Evangelhos de: Mateus, cap. 18, vv. 1 a 5 – Marcos, cap. 9, vv. 33 a 37 – Lucas, cap. 9, vv. 46 a 48).
Depois de percorrer algumas regiões da Galileia, Jesus e seus discípulos regressaram a Cafarnaum, onde o Mestre residia, sendo hóspede da casa de Pedro. Embora soubesse a respeito dos sentimentos e dos pensamentos humanos, Jesus indagou aos seus apóstolos a respeito do teor da conversa que promoviam durante o caminho. Eles nada responderam porquanto o tema era de natureza egoica (Pessoa que se incomoda quando é solicitada.,Fala de si o tempo todo, se elogiando, se achando o melhor)
Sentiram-se envergonhados para revelar que discutiam a respeito de quem seria o maior.
O divino Rabi, no entanto, desejou aprofundar a respeito da temática. Não era interessante saber quem era o maior, mas quem poderia ser o maior no Reino dos Céus. O Mestre delineou um roteiro para quem deseja atingir elevado nível de evolução espiritual. Um roteiro associando sabedoria com pureza de coração.
Ao apresentar uma criança e dizer que é necessário se tornar uma criança para entrar no Reino dos Céus, Jesus ressaltou o símbolo de pureza que a criança representa. Isso, porque a criança nem sempre é espiritualmente pura porquanto frequentemente falta-lhe conhecimento e sabedoria. Pureza sem sabedoria não é pureza e sim ingenuidade, ignorância. O Mestre usou a criança como um recurso didático para demonstrar a necessidade de pureza espiritual para ser o primeiro no Reino de Deus.
Diante de Deus, somos todos crianças espirituais, mas nem sempre temos essa consciência. A obediência diante da Suprema Vontade do Pai, revelada por meio de Suas Leis gravadas na consciência, é o primeiro passo para a conquista dessa pureza espiritual. O espírito, em seus diversos níveis evolutivos, que respeita as Leis de Deus, encontra recursos ainda maiores para desenvolver elevadas virtudes intelecto-morais até alcançar a perfeição espiritual.
A prática recomendada por Jesus é a de ser o “servo de todos”. Vale ressaltar que o Mestre não sugere que o indivíduo se torne ‘o escravo de todos’. O servo tem vontade própria, está pronto para ajudar e colaborar, mas não age como um escravo, abdicando do seu livre arbítrio, de suas vontades e dos seus talentos. Ser o servo de todos é agir com sabedoria, sempre auxiliando de acordo com o nível evolutivo de quem é servido. Igualmente, tornar-se o “último de todos”, sendo instrumento de Deus, é bem diferente de tornar-se objeto dos caprichos das ambições, dos desvarios e das violências humanas.
Tornar-se “o menor”, segundo a vontade de Deus, é exercício de humildade, resultante da prática da caridade. Porque não há humildade sem caridade e não há caridade sem amor incondicional. Quem se torna o menor será grande porque sabe reconhecer as suas qualidades e os talentos dos demais e busca trabalhar em prol de um convívio melhor.
O divino Mestre, no entanto, lembrou haver deveres para com o justo e o sábio. Quem trata com respeito um filho de Deus, também considera o próprio Pai que o criou, especialmente se sabe reconhecer as suas qualidades morais. Não raras vezes, quem trabalha em prol da justiça, do amor e da fraternidade, ainda sofre diversas perseguições em nosso meio; alguns são martirizados, vilipendiados e assassinados.
A pureza espiritual também foi louvada por Jesus ao proferir o Sermão da Montanha, conforme narra Mateus (5:8): “Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”; é a felicidade maior reservada para quem alcançou a perfeição espiritual.
Enquanto os apóstolos discutiam durante a viagem acerca de quem seria o maior, não poderiam supor que a lógica de Deus é bem contrária a lógica do imediatismo humano. Afinal, quem poderia imaginar que o maior é quem se torna o menor para servir em nome de Deus. Jesus nos ensina a estratégia de se fazer “menor”, por meio da obediência a Deus, para o devido cumprimento dos seus deveres. É nesse sentido que o forte deve se apresentar fraco para levantar os fracos e sustentar os fortes. O apóstolo Paulo também compreendeu essa lição do Cristo ao reproduzi-la, conforme se verifica em sua primeira carta aos Coríntios (9:19-23):
“Ainda que seja livre diante de todos, fiz-me o servo de todos para ganhar o maior número possível. Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus. Para os que estão sujeitos à Lei, fiz-me como se estivesse sujeito à Lei, para ganhar os que estão sujeitos à Lei. Para os que vivem sem a Lei, fiz-me como se vivesse sem a Lei, ainda que não viva sem a lei de Deus, pois estou sob a lei de Cristo, para ganhar os que vivem sem a Lei. Para os fracos, fiz-me fraco, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele”.
Paul Idni Maia Viana
Louvado Seja Deus







Zaqueu sobe no Sicômoro para ver Jesus
Zaqueu Hoje me Convém Pousar em Sua Casa